sexta-feira, 30 de abril de 2010

EUA viveram surto de gripe suína em 1976; vacina gerou mortes

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O medo da gripe suína, que afeta todo o mundo neste momento, foi sentido nos Estados Unidos há 33 anos. Em 1976, o então presidente Gerald R. Ford determinou a vacinação em massa da população como forma de evitar a doença, medida que resultou em um fim trágico: uma pessoa morreu pela gripe - e ao menos 25 por terem tomado a vacina.

Em fevereiro daquele ano, uma tropa de soldados de Nova Jersey ficou doente e um deles morreu. Análises de laboratório indicaram que a causa era um vírus influenza (que causa a gripe), porém de origem suína. Temendo uma nova onda de gripe como a espanhola --que havia matado milhões de pessoas no mundo entre 1918 e 1919-- Ford anunciou seu plano de vacinação.



Gerald Ford determinou vacinação em massa em razão de foco de gripe suína
Gerald Ford determinou vacinação em massa em razão de foco de gripe suína

Foram feitos anúncios na televisão pedindo que a população se vacinasse (veja vídeos). Segundo o jornal "Los Angeles Times", foram investidos quase US$ 140 milhões no programa e a vacinação começou em outubro daquele ano --cerca de 40 milhões de pessoas foram vacinadas.

Uma das causas do pânico foi o fato de, na época, a pandemia de gripe de 1918 ser creditada a um vírus com traços de origem suína. Entretanto, pesquisas posteriores mostraram que isso não era correto.

Ao contrário que se imaginava, o vírus não fez com que mais pessoas morressem. Logo surgiram relatos de que cerca de 500 pessoas que tomaram a vacina desenvolveram uma doença chamada síndrome de Guillain-Barré, que causa dores musculares, dificuldade respiratória e pode ser fatal --cerca de 25 delas morreram. Em contrapartida, apenas um dos mais de 200 infectados pela doença morreu. Em dezembro, o programa de vacinação foi suspenso.

"Nós não sabíamos com que tipo de vírus estávamos lidando naquele tempo. Ninguém sabia que teríamos a síndrome de Guillain-Barré. A vacina contra a gripe vinha sendo usada há muitos anos sem que nada acontecesse", afirmou David J. Sencer, então diretor do CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos), ao jornal de Los Angeles. Ele perdeu o emprego devido ao episódio.

Pessoas afetadas e seus parentes entraram com ações na Justiça contra o governo dos Estados Unidos. O episódio teve consequências políticas para Ford, que perdeu a disputa pela reeleição para o democrata Jimmy Carter.

Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u558040.shtml

sexta-feira, 9 de abril de 2010

As crianças e o tinner


Ontem a noite a Marcela(linda) me deixou na rodoviária, e eu fiquei mais ou menos 45 minutos esperando o próximo ônibus pro Gama. Eram 23 horas e alguns minutos. Nesse meio termo, andei pela rodoviária, e pude observar as crianças que vivem ali se desentocando. Na verdade elas estiveram ali o dia inteiro, mas foi mais fácil percebê-las quando a rodoviária se desintoxicou da profusão gigante de pessoas que passam ali diariamente. A rodoviária estava quase vazia, e aqui e ali, eu as vi, saindo de suas tocas. Deitadas no chão, encostadas nas paredes, andando vendendo chicletes e paçocas, assediando as poucas pessoas que ainda por ali transitavam atrás de um “real seu moço, pelo-amor-de-Deus. Inúmeras crianças, sozinhas, mas em comunhão com o solvente de tinta. Todas eram uma só criança, com sua latinha, sua garrafinha na mão, e o líquido transparente dentro, a qual puxavam somente o ar de dentro delas para os pulmões, em seguida fazendo cara de alguém perdido no mundo. Como se algo em suas faces dissesse: “Espere um pouco, estou viajando. Volto já”. E observei primeiramente, durante esses poucos minutos, uma criança em especial. Ele estava encostado na parede da Pastelaria Viçosa, com os pés meio jogados sem rumo para frente, os olhos fixos num ponto qualquer, e seguro na garrafa de água mineral como se aquela fosse realmente sua única fonte de vida. Tinner! O tinner é a droga oficial da rodoviária de Brasília. Até os dois garotos que vendiam paçoca, ao conseguir algum trocado vendendo “5 paçoca é 1 real. Duas é 50. Uma é 25″, correram para o garoto maior, para calibrarem suas garrafinhas com um pouco do líquido solvente, que a tantos perdia e a tantos encontrava. Esse garoto maior era meio que o traficante local, e fiquei admirado como ele colocava pouco tinner dentro das garrafinhas. Os dois que vendiam paçoca protestavam, choravam por um pouco mais, mas com ele não tinha negócio, era aquilo e pronto. A contragosto, os dois da paçoca correram e sentaram ao lado do outro encostado na Viçosa, e aspiraram aquilo como se bebe água em dias de sede. Tinner. Uma menina maior chega perto do trio-viçosa, e com sua lata de Skol na mão, senta-se também ao lado deles. Ali era o canto da viagem. O canto da fuga. O canto onde eles se reuniam, e se reunem diariamente para esquecer da fome, do desprezo de todos que passavam apressados por eles, como lixo jogados no chão. O canto da saciedade. Ali eu percebi não haver dor alguma. Somente um ponto qualquer, à frente, onde todos eles fixavam o olhar. Que ponto seria aquele? Por que todos olhavam na mesma direção, meio sem piscar, meio maravilhados com o que viam, meio que pedindo ajuda a alguém. Entrei no ônibus, enfim, mas lá de dentro o cheiro forte de tinner ainda estava impregnado na minha pele, no meu nariz de forma intensa. Impossível me livrar daquilo. Aqueles olhares fixos num ponto qualquer, à frente, de forma incompreensível, agora, olhavam para mim.

http://ilusaum.wordpress.com/